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Carpinejar fala sobre bullying para 700 professores da rede municipal Última atualização em, 23 de novembro de 2017

O assunto era sério, mas não teve jeito. O escritor e jornalista Fabrício Carpinejar arrancou gargalhadas do público em sua rápida passagem por Santa Cruz do Sul. Em mais uma ação da Campanha Bullying não tem graça!, na tarde desta quinta-feira, 23, no auditório central da Unisc, ele falou de forma descontraída sobre o tema para uma plateia composta por mais de 700 professores e outros profissionais da rede municipal de ensino.

 

 Com a experiência de quem sofreu a violência na própria carne, porém com a leveza que só um artista sabe expressar, ele contou como superou as adversidades e, mais do que isso, como transformou a realidade a seu favor. Com altas doses de irreverência e bom humor, Carpinejar mergulhou em antigas lembranças dos tempos escolares, contou situações difíceis que teve que enfrentar e falou sobre como a família foi um alicerce importante nos momentos mais difíceis.

 

Minutos antes de subir ao palco, o escritor conversou com jornalistas e disse que o respeito é prática e exercício, e que o ato de educar requer disciplina constante. “É preciso chamar a atenção e educar a todo momento. A gente precisa ter cuidado com o que diz, mas também com aquilo que pensa”, alertou. Já durante a palestra, fez duras críticas ao que chamou de “cultura do coitadismo e da vitimização” e disse que está na hora de ensinar a coragem e a resiliência criativa. 

 

Ao rememorar fases marcantes de sua infância, contou que na escola foi vítima de apelidos cruéis e motivo de ridicularização devido ao seu biotipo. Chegou a sofrer agressão física diversas vezes e costumava sair da escola pelos fundos para não apanhar dos colegas. Na fase de alfabetização, a professora disse que ele não aprenderia a ler e a escrever e orientou sua mãe a retirá-lo da escola. Fabrício foi encaminhado ao neurologista e de lá saiu com diagnóstico de retardo mental.

 

A mãe não se deu por vencida, tirou o filho da escola, pediu licença no trabalho e em dois meses ensinou o filho a ler e a escrever.  “Minha me ensinou que diagnóstico não é destino. É um retrato efêmero que não inclui garra, persistência e fé”, disse ele. E foi mais além. “Eu sou filho da fé da minha mãe. Com certeza ela me fez estar aqui e eu que não sabia escrever, hoje sou escritor. É uma ironia, um paradoxo materno”.

 

Trajetória - Fabrício Carpinejar é o primeiro autor no país a publicar, no ano de 2006, uma obra refletindo sobre bullying, o livro Filhote de Cruz Credo, que lhe rendeu o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

 

Nascido em Caxias do Sul, em 1972, e radicado em Porto Alegre, Carpinejar publicou 41 livros entre poesias, crônicas infantojuvenis e reportagens. É detentor de mais de 20 prêmios literários.

 

Em 2014 foi convidado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul para o Projeto Educar Sem Discriminar e percorreu 30 municípios, conversando com mais de 20 mil alunos. Este ano realizou projeto semelhante em escolas da rede municipal de São Leopoldo (RS).

 

 

 

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