Encerramento do Projeto Diversidade Rural revela oportunidades no campo

Encerramento do Projeto Diversidade Rural revela oportunidades no campo

Última atualização em 28 de novembro de 2025


A manhã de quinta-feira, 27, foi diferente na Emef Cardeal Leme, em São Martinho. A escola virou palco de descobertas, sabor, ciência e protagonismo juvenil com o encerramento do Projeto Científico Diversidade Rural, iniciativa que desde 2022 incentiva estudantes a enxergarem no campo um território fértil de oportunidades.


Cerca de 130 alunos do 9º ano de sete escolas do interior do município se reuniram para apresentar os trabalhos que desenvolveram ao longo do ano. E não faltou criatividade: do uso medicinal da canela ao reflorestamento de áreas nativas, da inovação no pomar à produção de suplemento para terneiros, a diversidade rural se mostrou viva e pulsante em cada experimento.


As apresentações foram avaliadas por uma comissão julgadora, formada pelo casal de agricultores Irineu Raminelli e Iolete, de uma propriedade modelo de Sobradinho; pelo representante da Escola Família Agrícola, Evandro da Rosa Silveira; e pelo secretário municipal de Habitação, Andrei Barboza, um dos idealizadores do projeto.


Para Eduardo Soares, coordenador da iniciativa na Secretaria Municipal de Educação (SEE), de Santa Cruz do Sul, o Diversidade Rural cumpre o papel de ampliar o olhar dos estudantes sobre o potencial econômico e cultural da vida no campo, mostrando que a sucessão rural pode garantir mais renda, qualidade de vida e desenvolvimento para as comunidades. “Muitos jovens vão para a cidade e acabam em empregos com salários baixos, no entanto, muitas vezes eles deixam para trás propriedades bem estruturadas e repletas de oportunidades”, frisou. 


Entre os trabalhos apresentados, chamou atenção o projeto “Cebola, além do tempero”, desenvolvido pelas estudantes Tamires Jasmin Stulp, 14 anos, e Larissa Seelig de Mello, 15 anos, da própria  Cardeal Leme. A dupla resolveu transformar a tradicional cebola em uma geleia caramelizada — produto que surpreendeu colegas, professores e até os jurados. Antes disso, porém, foi preciso vencer desafios. “A primeira vez não deu certo, colocamos açúcar demais e cristalizou. Mas na segunda tentativa ficou boa e levamos para a Mostra da Afubra”, contou Tamires.


A pesquisa foi além da cozinha: as alunas criaram o logotipo do produto, calcularam os custos de produção e descobriram usos medicinais da cebola e até da casca, utilizada para aliviar sintomas de gripes e resfriados. O resultado agradou tanto que já surgiram encomendas. “Um professor provou e quer um pote para a semana que vem. Em casa também adoraram!”, comemorou Tamires.


Ao final do evento, todos os estudantes receberam medalhas de participação e os três primeiros colocados levaram troféus para casa. Os premiados foram os projetos Explorando o Tamarillo, da Emef Rio Branco; Potencial da Laranja – Inovação e valor no agronegócio, da Emef Felipe Becker; e Saberes, Culturas e Sustentabilidade no Campo, da Emef Christiano J. Smidt.

Foto: Elemir Polese

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