Imóveis abandonados entram na mira da fiscalização

Imóveis abandonados entram na mira da fiscalização

Última atualização em 26 de outubro de 2026

Casas abandonadas preocupam moradores de Santa Cruz do Sul e mobilizam a fiscalização municipal. Nos últimos três meses, 32 proprietários foram notificados por irregularidades em seus imóveis, enquanto a Prefeitura recebe, em média, 12 denúncias ou demandas por semana relacionadas a essas situações. A maior concentração de ocorrências está nos bairros Senai, Schultz, Bom Jesus e Várzea, mas há registros em toda a cidade. 


Pátios tomados pelo mato, construções deterioradas e terrenos utilizados como depósito de lixo afetam as condições de higiene e conservação dos espaços urbanos. Essas situações também podem favorecer a proliferação de insetos e outros animais, incluindo o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, além de gerar preocupação com a segurança dos moradores do entorno.


O coordenador do Setor de Fiscalização, Guilherme Lopes, explica que a equipe busca resolver as ocorrências, sempre que possível, por meio do diálogo com os proprietários. “Recebemos demandas de diferentes regiões da cidade e buscamos orientar os responsáveis para que mantenham os imóveis em condições adequadas, evitando que a falta de manutenção se torne um problema para a vizinhança”, afirma.


De acordo com a legislação, cabe aos proprietários manter terrenos, pátios, edificações e calçadas em condições adequadas, mesmo quando os imóveis estão desocupados. Nesses casos, a fiscalização busca localizar o responsável por meio do cadastro municipal ou, quando cabível, de possíveis herdeiros, para solicitar as adequações necessárias.


Guilherme explica que, quando não é possível localizar o responsável, a notificação pode ser feita por edital, conforme prevê a legislação municipal. Em edificações que ofereçam risco ou não apresentem condições mínimas de higiene, podem ser determinadas medidas como reformas, vedação ou demolição, conforme o caso.


Para contribuir, a população também pode comunicar situações de abandono pelo WhatsApp (51) 99817-8908 ou pelo e-mail fiscalizacao@santacruz.rs.gov.br. Para facilitar a avaliação da ocorrência, a orientação é informar o endereço completo do imóvel e, se possível, encaminhar fotos e uma descrição do problema.


Descumprimento pode pesar no bolso


O descumprimento das notificações pode resultar em auto de infração e multa. Para terrenos com cobertura vegetal predominante de 50 centímetros ou mais, a Lei Municipal nº 7.120/2014 prevê penalidades que variam conforme a área: 1 Unidade Padrão Municipal (UPM) para terrenos de até 300 metros quadrados; 2 UPMs para áreas de 300,01 a 500 metros quadrados; 3 UPMs para áreas de 500,01 a 1.000 metros quadrados; e 4 UPMs para terrenos com mais de 1.000 metros quadrados.


Na zona comercial preferencial, a multa é dobrada. A mesma regra se aplica em caso de reincidência no mesmo ano. Após a autuação, o responsável pode comprovar a limpeza do terreno em até 20 dias, contados da ciência da notificação, para obter isenção da multa, conforme previsto na legislação.


Os prazos para regularização variam de acordo com o tipo de irregularidade. No caso das calçadas, a Lei Municipal nº 5.436/2008 estabelece períodos que podem ser de 10, 20, 30 ou 60 dias, conforme a providência exigida. Para prédios que ofereçam risco ou não tenham condições mínimas de higiene, o prazo é definido pela Administração Municipal.


O coordenador do Setor de Fiscalização, Guilherme Lopes ressalta que o não cumprimento das notificações dentro do prazo estabelecido pode resultar nas penalidades previstas na legislação. Além da multa, o Município poderá executar os serviços necessários e cobrar os custos do proprietário, quando cabível.


Para terrenos, as despesas podem ser acrescidas de 25%. No caso das calçadas, a legislação prevê acréscimo de 20% a título de taxa de administração. Os valores não pagos podem ser inscritos em dívida ativa e cobrados judicialmente.


Fotos: Évelin Nyland

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