Santa Cruz do Sul deu mais um passo para consolidar sua posição entre os principais polos de desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Na manhã desta quinta-feira (2), representantes da Sulgás e da Ecolog Serviços Ambientais apresentaram para lideranças políticas, empresariais e imprensa os projetos que irão ampliar a infraestrutura energética do município, combinando a expansão da rede de gás natural da Sulgás com a futura produção de biometano pela Ecolog.
O encontro, realizado no Palacinho, detalhou os investimentos que fazem parte da maior expansão da história da Sulgás no Rio Grande do Sul, anunciada no Palácio Piratini, em Porto Alegre, no mês passado. A companhia, responsável pela distribuição de gás natural canalizado no estado, prevê investir R$ 163,7 milhões em 2026, incluindo a implantação de um gasoduto de aproximadamente 190 quilômetros que ligará a região de Charqueadas aos vales do Taquari e do Rio Pardo, contemplando Lajeado e Santa Cruz do Sul.
Paralelamente, a Ecolog Serviços Ambientais — empresa santa-cruzense que atua na coleta, transporte e gerenciamento de resíduos sólidos — confirmou a implantação, em Santa Cruz do Sul, de um complexo tecnológico para transformação de resíduos em energia, com investimento de R$ 85 milhões. A unidade produzirá biometano, biomassa e fertilizantes, aproveitando resíduos orgânicos e reduzindo significativamente o volume de lixo destinado aos aterros sanitários.
A combinação dos dois projetos coloca Santa Cruz do Sul no centro de uma estratégia estadual voltada à segurança energética, à sustentabilidade e ao fortalecimento da competitividade da indústria, criando um ambiente mais favorável para novos investimentos, geração de empregos e expansão econômica.
Implantação será feita em etapas
Durante a apresentação, o executivo comercial da Sulgás, Douglas Becker, e a executiva institucional da Companhia, Carolina Bahia, detalharam que a expansão para Santa Cruz do Sul acontecerá em etapas.
Inicialmente, o foco será o fornecimento para a indústria, principal demandante de energia. Ao longo dos anos, à medida que a rede se expandir, o serviço poderá alcançar estabelecimentos comerciais, hotéis, hospitais, restaurantes, condomínios e, futuramente, consumidores residenciais. Atualmente, a Sulgás realiza estudos para definir o traçado da rede local e levantar a demanda energética do município.
Além da construção do futuro gasoduto, a companhia prevê uma etapa intermediária para acelerar o atendimento ao distrito industrial. Nos próximos anos, deverá ser implantada uma rede local de aproximadamente nove quilômetros, abastecida inicialmente por gás natural comprimido (GNC), transportado por caminhões. Essa solução permitirá que as empresas tenham acesso ao combustível antes da conclusão da ligação definitiva ao sistema estadual.
Carolina Bahia destacou ainda que a ampliação da rede representa um avanço também na agenda ambiental. Segundo ela, "o gás natural emite menos gases de efeito estufa se comparado aos demais combustíveis disponíveis hoje no mercado". Ela ressaltou ainda que a diversificação da matriz energética aumenta a segurança do abastecimento, reduzindo os riscos de descontinuidade em momentos de crise, como ocorreu durante as enchentes de 2024.
O executivo comercial da Sulgás, Douglas Becker, detalhou que a implantação da rede utilizará tecnologia de perfuração direcional, reduzindo os impactos na infraestrutura urbana. Ele reforçou que a parceria com a Ecolog amplia ainda mais o potencial do projeto, já que a mesma infraestrutura poderá distribuir tanto gás natural quanto biometano.
Santa Cruz também será produtora de energia limpa
A parceria entre Sulgás e Ecolog também representa um avanço na produção de energia renovável. O diretor executivo da Ecolog, Diego Dutra Leite, afirmou que a empresa pretende instalar em Santa Cruz do Sul um dos mais modernos complexos de transformação de resíduos em energia do país, utilizando tecnologia de ponta para produção de biometano, biomassa e fertilizantes. "Nosso município vai realmente passar por uma transformação e fazer a diferença para novas gerações", celebrou.
A planta da Ecolog, denominada Coambe - Complexo Tecnológico para Tratamento de Resíduos - será instalada em uma área pública de aproximadamente 200 mil metros quadrados, cedida pela Prefeitura nas proximidades do Autódromo Internacional. Segundo Diego, a previsão é de que as obras tenham início nos próximos três meses, com as primeiras operações ocorrendo em cerca de um ano e funcionamento pleno em até 24 meses. Atualmente, a Ecolog possui cerca de 120 colaboradores e estima pelo menos dobrar esse número com a implantação do novo empreendimento.
Mais segurança e competitividade para a indústria
O prefeito Sérgio Moraes destacou que a chegada da nova infraestrutura energética representa um marco para o desenvolvimento econômico do município e deverá atender às demandas futuras da indústria local, além de impulsionar novos setores da economia. "As empresas, especialmente do tabaco, na nossa região, precisam entender que a necessidade do gás logo, logo vai chegar, para o desenvolvimento social e econômico. Sejam muito bem-vindos e que a gente possa, lá na frente, contar essa história de maneira muito grande", comemorou.
Representando o setor produtivo, o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, destacou que a chegada do gás natural atende a uma demanda histórica das indústrias do tabaco por maior segurança no abastecimento energético.
"Segurança energética foi sempre uma grande preocupação do setor do tabaco e da indústria como um todo", afirmou, lembrando que, durante as enchentes de 2024, diversas empresas interromperam suas atividades devido à falta de combustíveis. Segundo ele, a nova alternativa energética permitirá maior previsibilidade e segurança para os investimentos futuros.
Entre os principais benefícios do gás natural estão o fornecimento contínuo por rede, maior eficiência energética, redução de custos operacionais, segurança no abastecimento e menor emissão de poluentes. A infraestrutura também poderá distribuir biometano, combustível 100% renovável produzido a partir de resíduos orgânicos, reforçando o compromisso de Santa Cruz do Sul com uma matriz energética mais limpa e sustentável.
Foto: Évelin Nyland
