Conferência destaca importância do CadÚnico para além dos programas de transferência de renda

Conferência destaca importância do CadÚnico para além dos programas de transferência de renda

Última atualização em 03 de junho de 2026

Com o tema Conhecer para Incluir, a Prefeitura de Santa Cruz do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Inclusão (Sedesi), realizou na manhã desta terça-feira, 2, a 2ª Conferência Municipal do Cadastro Único. O encontro ocorreu no Memorial da Unisc e reuniu cerca de 130 profissionais da educação, entre diretores e orientadores educacionais, para um momento de capacitação, troca de experiências e fortalecimento das políticas públicas voltadas à inclusão social.


Esta foi a segunda edição da conferência, iniciativa criada em 2025 com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o Cadastro Único entre diferentes setores da rede de proteção social. Na primeira edição, o público-alvo foram os agentes comunitários de saúde e neste ano, a conferência direcionou suas ações aos profissionais da educação, reconhecendo o papel estratégico das escolas na identificação de situações de vulnerabilidade e no encaminhamento das famílias aos serviços socioassistenciais.


A programação teve início com a abertura oficial, que contou com a participação do prefeito Sérgio Moraes, da secretária municipal de Educação, Jane Sabin, e da secretária municipal de Desenvolvimento Social e Inclusão, Fátima Alves da Silva. Na sequência, a coordenadora municipal da Proteção Social Básica e do Cadastro Único, Luci Rodrigues, e a coordenadora operacional do Cadastro Único, Jaqueline Schaurich, ministraram a palestra Cadastro Único: Conhecer para Incluir.


Durante a apresentação, foi destacada a necessidade de desmistificar a ideia de que o Cadastro Único está vinculado apenas ao Bolsa Família. Atualmente, mais de 40 programas e benefícios sociais, somente do governo federal, utilizam o CadÚnico como porta de entrada, entre eles o Pé-de-Meia, a gratuidade na inscrição do Enem, isenções em taxas de matrícula em concursos públicos, Prouni, Benefício de Prestação Continuada (BPC),  Programa Jovem Aprendiz, além de outros como o Todo Jovem na Escola, do governo do Estado, e acesso a diversos serviços.


Segundo Luci Rodrigues, o Cadastro Único é uma ferramenta fundamental para garantir direitos e ampliar oportunidades às famílias em situação de vulnerabilidade social. “Nosso papel enquanto assistência social é ofertar tudo o que podemos para ajudar as famílias a superarem situações de vulnerabilidade. Muitas vezes associamos o CadÚnico apenas ao Bolsa Família, mas ele abre portas para diversas oportunidades”, afirmou.


A escolha dos profissionais da educação como público-alvo da conferência, segundo ela,  ocorreu em razão do papel estratégico que as escolas desempenham na identificação de situações de risco social. Conforme Luci, muitas vezes são professores, orientadores e equipes escolares os primeiros a perceber sinais de dificuldades enfrentadas pelas famílias, possibilitando o encaminhamento adequado aos serviços da rede de proteção. “Ao identificar faltas recorrentes, dificuldades de acesso ou situações familiares complexas, a equipe escolar pode acionar a rede antes que o problema se agrave”, observou.


A programação também contou com a palestra da assistente social Camila de Souza sobre o Sistema de Condicionalidades (Sicon), ferramenta utilizada para acompanhar famílias beneficiárias de programas sociais. A profissional ressaltou a importância da prevenção, da busca ativa e da escuta qualificada para compreender as razões que levam ao descumprimento de compromissos como a frequência escolar, permitindo intervenções antes que situações de vulnerabilidade se agravem.


O evento encerrou com espaço para perguntas e debates entre os participantes. “Quando falamos de Cadastro Único não estamos tratando apenas de números, formulários ou sistemas. Estamos falando de pessoas, famílias e, principalmente, de crianças e adolescentes que dependem das políticas públicas para terem oportunidades mais justas de desenvolvimento”, destacou Luci.


Educação e Cadastro Único: uma parceria para garantir direitos


Os dados apresentados evidenciam a forte conexão entre a educação e o Cadastro Único. Atualmente, 1.277 crianças de 4 a 6 anos estão no CadÚnico em Santa Cruz do Sul, das quais 811 são beneficiárias do Bolsa Família. Na faixa etária de 6 a 18 anos, são 7.720 crianças e adolescentes cadastrados, sendo 4.315 atendidos pelo programa. Os números demonstram que uma parcela significativa dos estudantes depende das políticas públicas para assegurar condições básicas de permanência e desenvolvimento escolar.


Além de complementar a renda das famílias, o Bolsa Família estabelece compromissos nas áreas da educação e da saúde. Para manter o benefício, crianças de 4 e 5 anos devem registrar frequência escolar mínima de 60%, enquanto estudantes de 6 a 18 anos precisam atingir pelo menos 75% de presença nas aulas. Também é necessário cumprir condicionalidades relacionadas à saúde, como manter a vacinação em dia. “Nesse contexto, escolas, professores e equipes pedagógicas desempenham papel fundamental na identificação das necessidades das famílias e no fortalecimento da rede de proteção social”, ressaltou Luci.


Foto: Évelin Nyland

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